segunda-feira, 10 de maio de 2010

Eu, mãe

Me tornei mãe aos 20 anos. Completamente imatura e despreparada me vi responsável por uma vida frágil que dependia 100% de mim. Éramos só nós duas. Meu marido ainda morava em outra cidade com seus pais, terminando sua faculdade de Medicina. Meus pais enfrentavam sérios problemas, e estavam prestes a se separar.

Minha filha nasceu com dificuldades respiratórias e ficou uma semana na UTI. Quando recebemos alta, meu marido já havia perdido aulas demais e precisava voltar imediatamente para a faculdade, afinal ele se formava naquele ano e dependíamos disso para conquistarmos nossa própria renda. Eu abandonara meu emprego quando soube da gravidez. Estava no segundo ano da faculdade e tirei uma licença-maternidade.
Como foram difíceis aqueles dias. Eu me sentia muito só, incapaz de cuidar daquela pessoinha que estava nos meus braços. Tinha medo de lhe dar banho, de cortar-lhe as unhas, de trocar suas fraldas, de limpar o umbiguinho. Sentia muita dor ao amamentá-la e estava sempre profundamente cansada.
Eu olhava para minha filha e pensava que ela era tão linda e perfeita, que não merecia uma mãe daquela forma despreparada como eu. Por isso eu chorava, chorava e chorava.
O tempo foi passando, como sempre passa. Eu já não sentia mais dor ao amamentá-la. Muito pelo contrário. Para mim eram os momentos mais calmos e incríveis do dia. Lembro-me perfeitamente do dia no qual, sentada no sofá da casa dos meus pais, olhando minha filha de fralda após uma longa mamada, grande e saudável, naquela época um bebezão de 04 meses, eu me dei conta de que tudo, tudo que ela era, eu havia lhe dado, todo alimento que sustentara aquele pequeno ser havia sido por mim produzido, inicialmente transmitido pelo cordão umbilical, e depois pelos meus seios, sempre cheios e fartos de leite.
Sim, naquele instante, naquele exato instante, eu pude sentir um amor avassalador e cortante me atravessar o peito, e assim, enfim, eu me tornei mãe.
Eu nunca mais haveria de sentir pena da minha filha. Passei a contemplá-la como uma criaturinha de tamanha sorte e graça por ter alguém que lhe amasse tanto ao seu lado, alguém tão e verdadeiramente empenhada em fazê-la feliz.
A maternidade não pode ser explicada, apenas vivida, ela é uma experiência tão única e particular que qualquer tentativa de definição não seria justa e nem tampouco condizente com o sentido real da palavra.
Hoje eu me vejo inteiramente realizada como mãe. Creio que o que passei na gravidez e nascimento de minha primeira filha foi um grande e lindo aprendizado, que me ajudou a receber meu segundo filho já com a alma preenchida por aquele amor, tão conhecido como o “amor incondicional”, pois uma vez mãe, mãe para sempre!


4 comentários:

Ana Carolina disse...

Que texto lindo!!
Parabéns!
Obrigada pela visita e comentário no meu blog..
Também já sou sua seguidora..
Bjos!
=)

Srta. Caroline disse...

Que lindo! Meu sonho é também ser mãe um dia e viver esse amor incondicional, insuperável e incompreensível pra tanta gente. Parabéns pelo casal de filhos aee da foto! Tudo de bom pra tds vcs, sempre e sempre =]

Srta. Caroline disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eu, Damaris, para mim... disse...

Vc é uma mãe linda demais...Eu quero ser assim tbm um dia. Meu sonho é ter um filho com meu marido.Mas primeiro preciso terminar facu. Mal posso esperar!

Vc é linda por dentro e por fora...